“A MAIOR DE TODAS AS IGNORÂNCIAS É REJEITAR UMA COISA SOBRE A QUAL VOCÊ NADA SABE."

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A Maledicência

Toda pessoa não suficientemente realizada em si mesma tem a instintiva tendência de falar mal dos outros.Qual a razão última dessa mania de maledicência?É um complexo de inferioridade unido a um desejo de superioridade.Diminuir o valor dos outros dá-nos a grata ilusão de aumentar o nosso valor próprio.A imensa maioria dos homens não está em condições de medir o seu valor por si mesma. Necessita medir o seu próprio valor pelo desvalor dos outros.Esses homens julgam necessário apagar as luzes alheias a fim de fazerem brilhar mais intensamente a sua própria luz.São como vaga-lumes que não podem luzir senão por entre as trevas da noite, porque a luz das suas lanternas fosfóreas é muito fraca.Quem tem bastante luz própria não necessita apagar ou diminuir as luzes dos outros para poder brilhar.Quem tem valor real em si mesmo não necessita medir o seu valor pelo desvalor dos outros.Quem tem vigorosa saúde espiritual não necessita chamar de doentes os outros para gozar a consciência da saúde própria.As nossas reuniões sociais, os nossos bate-papos são, em geral, academias de maledicência.Falar mal das misérias alheias é um prazer tão sutil e sedutor – algo parecido com whisky, gin ou cocaína – que uma pessoa de saúde moral precária facilmente sucumbe a essa epidemia.A palavra é instrumento valioso para o intercâmbio entre os homens. Ela, porém, nem sempre tem sido utilizada devidamente.Poucos são os homens que se valem desse precioso recurso para construir esperanças, balsamizar dores e traçar rotas seguras.Fala-se muito por falar, para “matar tempo”. A palavra, não poucas vezes, converte-se em estilete da impiedade, em lâmina da maledicência e em bisturi da revolta.Semelhantes a gotas de luz, as boas palavras dirigem conflitos e resolvem dificuldades.Falando, espíritos missionários reformularam os alicerces do pensamento humano.Falando, não há muito, Hitler hipnotizou multidões, enceguecidas, que se atiraram sobre outras nações, transformando-as em ruínas.Guerras e planos de paz sofrem a poderosa influência da palavra.Há quem pronuncie palavras doces, com lábios encharcados pelo fel.Há aqueles que falam meigamente, cheios de ira e ódio. São enfermos em demorado processo de reajuste.Portanto, cabe às pessoas lúcidas e de bom senso, não dar ensejo para que o veneno da maledicência se alastre, infelicitando e destruindo vidas.Pense nisso!Desculpemos a fragilidade alheia, lembrando-nos das nossas próprias fraquezas.Evitemos a censura.A maledicência começa na palavra do reproche inoportuno.Se desejamos educar, reparar erros, não os abordemos estando o responsável ausente.Toda a palavra torpe, como qualquer censura contumaz, faz-se hábito negativo que culmina por envilecer o caráter de quem com isso se compraz.Enriqueçamos o coração de amor e banhemos a mente com as luzes da misericórdia divina.Porque, de acordo com o Evangelho de Lucas, “a boca fala do que está cheio o coração”.

Leonardo Rocha '.'

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O que procuras? '.' .'.