“A MAIOR DE TODAS AS IGNORÂNCIAS É REJEITAR UMA COISA SOBRE A QUAL VOCÊ NADA SABE."

sábado, 17 de dezembro de 2011

Dezembro



Sempre me pergunto acerca das agitações e nesse período em especial a de fim de ano. Época sempre carregada de muita correria para as compras de presentes e preparativos para a ceia de natal, excessos de todos os tipos, muitos carros nas ruas contribuindo ainda mais para o caos da cidade, lojas e ruas lotadas de pessoas buscando preencher seus vazios existenciais. É como se o mundo ou a vida das pessoas fossem acabar no mês de dezembro quando na verdade é somente o último mês do ano que faz lembrar a passagem de um ano para o outro, simples assim. Nos 60 segundos da transição relembramos das pessoas que já se foram, dos planos que realizamos e os que não realizamos também, e por que somente nessa época?

Semana passada, fui a um salão e em silêncio fiquei analisando o assunto dos profissionais acerca da confraternização de fim de ano:
- Aíííí! Esse ano eu vou inovar na ceia, vou fazer um bolinho de tutu – o personagem passa a receita detalhadamente para a colega que atenta responde – vou chegar bem cedo na sua casa para lhe ajudar a arrumar tudo.
- lá em casa é uma loucura, chega meia noite e fulano ainda não tomou banho e todo mundo fica sem se arrumar.
- mas “éééé” menina, eu gosto de deixar tudo pronto uma semana antes.

Eu fiquei ali imaginando um bolinho de tutu feito uma semana antes de ser comido.
Uma voz ecoa do outro canto.
- ainda tenho que comprar minha roupa e da minha filha mas estou aguardando o pai dela mandar o dinheiro, quero comprar uma sandália que vi na Uruguaiana que vai ficar linda nela.

E assim, o assunto continuou em seus mínimos detalhes, todo ele na mesma pauta e eu tentando achar alguma finalidade para aquilo tudo e me achando um ser de Órion por não compactuar da mesma mentalidade e é o que eu tenho ouvido no trabalho, na condução, em casa em fim e cada dia mais me sentindo um ser sem “cultura” com um toque de frieza.

Outro fato muito interessante é a “coincidência’ do nascimento de Jesus uma semana antes do término do ano e que muito divertidamente coincide com o pagamento do décimo terceiro, o que deixa as ruas e lojas ainda mais tumultuadas. E ao show da virada onde a maioria vestida de branco deseja a paz.

 Todos os meses, dias e horas tem uma importância singular, pois são únicos. Se pararmos para perceber que estamos criando tudo em nossa vida a cada minuto de existência passamos a não mais nos importar com datas como esta.

Observo o comportamento e percebo que por trás de toda a agitação está mascarado um arrependimento e muitas vezes um toque de angustia em pensar no ano que termina e quantas coisas deixamos de fazer e/ou fizemos em demasia e com isso fomos prejudicados em algum momento. O agito social, não só o do fim do ano, age como um anestésico mental.

Percebo que a correria é justamente por nos darmos conta que um ano acabou e que não existe mais tempo de realizar aqueles planos que fizemos no mês de dezembro do ano anterior.

Particularmente, não gosto de agitos, porém nessas épocas é quase impossível nos tornarmos imunes a atmosfera que impera na sociedade. Somos quase que obrigados a “entrar no ritmo”. Essa obrigação se faz de forma indireta pela família e amigos que nos cobram presença em amigo-oculto, visita a parente que não vemos o ano inteiro e muitas vezes nem lembramos deles durante a correria do dia a dia e nessa data somos cobrados a visitas e lógico, com presentes, estes muitas vezes sem os sentimentos verdadeiros que devem acompanhá-lo.

Não encaramos os términos como fechamento de ciclos e talvez por não termos clara esta ideia, deixamos de aproveitar todas as oportunidades que nos chega a cada instante.

Cada dia bem vivido, cada valorização que demonstramos àqueles que amamos, cada tarefa cumprida por mais simples que pareça deve ser agradecida e vista como a maior oportunidade que temos de nos desenvolver psíquico e moralmente.  Com o passar do tempo e neste treino não vamos mais nos apegar a regras vazias imposta pela sociedade, aí sim poderemos viver com mais sinceridade conosco e com o nosso próximo.

Cleidiane da Silva Araujo

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