“A MAIOR DE TODAS AS IGNORÂNCIAS É REJEITAR UMA COISA SOBRE A QUAL VOCÊ NADA SABE."

sexta-feira, 4 de março de 2011

A Lua


Equivocadamente, muitas vezes chamado o Crepúsculo, a imagem forte deste Arcano gera confusões e é merecido que se devolva seu sentido original. Mesmo que, de alguma forma possa ser relacionado com a simbologia contida neste arcano, etimologicamente “crepúsculo”, palavra que origina do latim “creper” (escuro, incerto, duvidoso), não ocorre no momento do nascer ou do pôr do Sol, como é apresentado aqui, porém trata-se de um eclipse do Sol.
Decerto que a Lua que domina o Céu, como ilustrada neste arcano, situa-se diante do Sol, cujo os raios encontramos ao seu reodor. Estamos em plena Luz do dia, momento em que a Terra e o Sol se encontram no mesmo eixo e a Lua situa-se entre ambos, escondendo o Sol, não estamos ante a Aurora ou ao Crepúsculo.

Estando a Lua representada em forma de D, tal como é vista no hemisfério Norte, e com o rosto de perfil olhando para baixo, percebemos que não se trata de um eclipse total do Sol. Este fato mostra que, decerto ainda está na fase crescente, inclusive em seu primeiro quarto. Tratamos de uma curiosa ocultação do Sol, de um eclipse paradoxal e certamente não devemos interpreta-lo ao pé da letra porque, astronomicamente é impossível existir um fenômeno celeste deste tipo. Na realidade, conforme o explicado é impossível ocorrer a ocultação total ou parcial do Sol, a ,menos que o Sol, a Lua e a Terra estejam situados no mesmo eixo. Em hipótese alguma poderia ocorrer este enigma no primeiro quarto da Lua.

A princípio temos aqui um fenômeno extraordinário, irracional e impossível. No entanto é exatamente isso que torna este arcano tão interessante. Esta impossível passagem do primeiro quarto da Lua, diante do Sol, projeta uma sombra sobre a Terra, uma representação que contém a luz e não a da crescente escuridão. Aqui tratamos do reino das sombras como componente da Luz. Tudo o que está oculto em nós e no universo está representado por esta carta que faz alusão a décima ooitava letra-número da cabala, “tsâdé” que significa lado oposto, e também lado ou braço, ainda o braço do Divino.

Assim percebemos que a sombra contida na luz representa o divino em nós, ou todo o aspecto oculto de nossa personalidade.

Em um jogo de cartas este arcano está frequentemente relacionado com nossas dificuldades, problemas, conflitos, decepções e desilusões, cujas causas e origens certamente encontramos em nós mesmos, nossos erros e debilidades. A Lua em um lance de cartas, frequentemente aparece se referindo à vida e as relações familiares, à confusão de idéias e sentimentos, aos pensamentos e à vida íntima, ao apego ao passado, ao psiquismo e ai inconsciente. Uma circunstância difícil, que nos põe à prova, que nos obriga a desfazer do passado e lançar-nos ao desconhecido e buscar nossas fontes interiores.

Na astrologia está associado ao signo de Câncer, ao segundo decanato de Touro e o segundo decanato do signo de Aquário, também a lua em escorpião como a sabedoria oculta dos abismos da alma, e o Sol na oitava casa domo a descida aos infernos. É o labirinto do Rei Minos em Creta, a viajem de Orfeu, de Ulisses, de Hercules, de Psique e de Enéias ao reino de Hades.

Seus significados positivos são: imaginação criativa, dotes ou qualidades psíquicas, doçura receptiva, premonições, intuições, popularidade. Seus significados negativos são: Dificuldade, adversidade, erro, engano, decepção, passividade, sedução, angústia, confusão de sentimentos, dependência afetiva ou material.

No tarô bíblico este arcano é simbolizado por João, o apostolo amado do Mestre que teve uma das experiências m,ais lindas no que se refere ao subconsciente. Na ilha de Patmos ele entrou em estado meditativo e pode ver tudo o que aguarda a humanidade, claro que muitas das coisas fora descrita como símbolos, pois eles desconheciam naquela época a maioria das coisas hoje criadas. Naquela época não haviam armas de fogo, nem aviões, nem celulares entre muitas outras coisas que João não pôde descrever com perfeição por desconhecer totalmente. De qualquer forma este fenômeno está associado ao arcano 18° pela manifestação do subconsciente no consciente. No modo imperativo esta carda diz-nos: Enxerga o que há dentro, conhece-te a ti mesmo.

No entanto seu simbolismo encerra muito mais do que parece a priori, de cada lado há uma torre limitando o espaço, da Lua caem gotas de sangue, as gotas de sangue representam a descida do espírito à matéria. Ali há um cão (espíritos servis) e um lobo (larvas ferozes) e um caranguejo (elementais rastejantes) estão ali atentos a queda da Alma na Matéria, é a materialização adâmica.

No I ching 29 K’an – O Abissal (Àgua)

Leonardo Rocha '.'

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